Afinal sinto-me igual, com a mesma responsabilidade de antes, com o mesmo sentido de compromisso.
Nada mudou com o casamento, a não ser, como seria de esperar, a partilha da cama aos fins-de-semana na Figueira, e a divisão dos almoços de fim-de-semana pelas duas famílias.
Afinal não custou assim tanto iniciar um convívio que de outra forma não existiria (apesar destes nove anos de relação, sete e meio de namoro "oficial").
O que interessa é que estas pequenas mudanças em nada mudaram a nossa vida, e que tudo está como antes, a não ser pela nova condição escrita no B.I.. Tirando isso, somos as mesmas pessoas, com as mesmas conversas, os mesmos sentimentos, as mesmas responsabilidades.
E toda a gente pergunta o mesmo: "Então, como te sentes agora que és uma mulher casada?" - E a resposta, sempre igual: "Exactamente na mesma", o que muito espanta quem pergunta.
Claro que, para muita gente, o facto de se assinar um papel faz toda a diferença. Acham que é uma responsabilidade enorme, um estatuto muito diferente do que tínhamos anteriormente. E, claro está, diz-se que ganhamos outra família, embora me custe perceber isto, já que a assinatura de um papel, por si, não deveria mudar aquilo que nunca existiu.
Para mim, o casamento resume-se só e unicamente à celebração da relação com as pessoas que nos são mais importantes, à celebração de um laço forte pelo meio de um ritual, não a uma alteração do estilo de vida, não a um ponto de viragem, a uma mudança extrema de vida.
Para mim não é nada disso.










